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The Handmaid's Tale - Opinião

Título: The Handmaid's Tale
Autor: Margaret Atwood
Lido no Kobo
Sinopse (do Goodreads):
"Offred is a Handmaid in the Republic of Gilead. She may leave the home of the Commander and his wife once a day to walk to food markets whose signs are now pictures instead of words because women are no longer allowed to read. She must lie on her back once a month and pray that the Commander makes her pregnant, because in an age of declining births, Offred and the other Handmaids are valued only if their ovaries are viable. Offred can remember the years before, when she lived and made love with her husband, Luke; when she played with and protected her daughter; when she had a job, money of her own, and access to knowledge. But all of that is gone now..."

Opinião:

Este é o segundo livro que leio de Margaret Atwood e foi lido para a leitura conjunta que eu, a Telma e a Carla estamos a fazer para o Só Ler Não Basta, que será discutido lá mais para o final deste mês. Mas vamos ao que interessa.

The Handmaid's Tale (A História de uma Serva) conta-nos a história de Offred, uma "Handmaid" que vive na República de Gilead - uma sociedade teocrática e distópica. Nesta sociedade, a religião é o seu grande pilar, depois de uma sociedade que era, supostamente, decadente devido à violência sexual e à facilidade com que o sexo era obtido. Como se sabe, nas distopias, passa-se do oito para o oitenta. Aqui, as relações sexuais existem mas são controladas e aceites estritamente para fins reprodutivos. Um dos grandes focos deste livro são as mulheres e as categorias em que elas são inseridas.

Existem as "Wives", que são as esposas, mulheres que estão num estrato social mais elevado. Vestem-se de azul, estão casadas com os "Commanders", que normalmente são homens de grande poder, e são estéreis. Depois há as "Handmaids", mulheres férteis que se vestem somente de vermelho e são elas que engravidam e dão os seus filhos para as "Wives". Por sua vez, se estes bebés forem meninas, as "Daughters", irão vestir-se completamente de branco até se casarem. As "Aunts", uma espécie de mentoras das "Handmaids", vestem-se de castanho, as "Marthas" vestem-se de verde, e são responsáveis pelas lides domésticas das grandes casas, as "Econowives" vestem-se com um fato que tem todas as cores, azul, vermelho, castanho e verde, e as "Jezebels" que são, basicamente, prostitutas e vestem-se de forma mais obscena, de acordo com os padrões da sociedade.

Numa altura em que os nascimentos são raros, as "Handmaids" são vistas como as responsáveis pela continuação da raça humana e qualquer falha que possa haver, se tiverem relações sexuais com os "Commanders" e não conseguirem ter filhos, então a culpa é sempre delas. Nunca do homem. Este livro explora a maneira como o corpo da mulher é visto somente como um receptáculo, um objecto capaz de conceber vida. A submissão das mulheres, o uso do corpo como um instrumento, o fundamentalismo religioso e a sociedade distópica são os grandes focos deste livro e a narrativa de Atwood prende-nos com todas as suas reflexões. Além disso, podemos perceber, aos poucos, como se chegou àquele ponto, como era a vida de Offred antes de Gilead, como a ausência de afectos, da demonstração de sentimentos afecta aqueles que ali vivem, e como o conhecimento é visto como fonte de poder, vedado a todos excepto aos que estão em altos cargos. É assustador como podemos ser manipulados de maneira quase imperceptível.

Este livro tem tanta, mas tanta coisa por onde se pegar! Desde o simbolismo das cores e de alguns momentos, às referências bíblicas, aos temas que aborda e que já referi, à questão da mulher ora divinizada ora objectificada, à escrita de Margaret Atwood que entrelaça tudo tão bem... Gostei imenso deste livro. Não estava à espera do final e surpreendeu-me por ser diferente daquilo que estava a imaginar. Não sou versada em distopias, mas gostei bastante desta porque me pareceu real, algo que consigo imaginar a acontecer (infelizmente). É uma obra pertinente e que nos obriga a pensar sobre o estatuto e o papel das mulheres na nossa sociedade e em culturas diferentes. Gostei muito deste livro e, continuando assim, vou-me tornar numa fã acérrima de Margaret Atwood.

5/6 - Muito Bom

(Esta leitura conta para o desafio Adult Dystopia Challenge)

Comentários

Catarina R. disse…
Quero muito iniciar-me na leitura de Margaret Atwood e este é um deles. A história parece mesmo muito interessante. Qual foi o outro que leste? Beijos
Diana Marques disse…
A história é muito boa e vale a pena ser lida. O outro livro que li dela foi o Oryx and Crake, o ano passado e foi excelente! Adorei esse livro, ela escreve muito bem :)
Eloah disse…
obrigada pela dica.Vou ler.Parabéns pela leitura conjunta.Bjs Eloah
Patrícia disse…
Mas toda a gente anda a ler este livro? tenho tido imensas recomendações para o ler, dentro e fora da blogosfera, e todas positivas. :)
Estou muito curiosa.
bjs